Em 1992, Daniela Mercury cantava "O Canto da Cidade" no Carnaval de Salvador e o Brasil inteiro parava para ouvir. O axé music estava no auge. Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Asa de Águia — a trilha sonora do verão brasileiro tinha sotaque baiano e ritmo de trio elétrico.

Trinta anos depois, a relação do Brasil com o axé music é complicada. O gênero virou sinônimo de música comercial, de letra fácil, de carnaval sem profundidade. Mas essa leitura, dizem pesquisadores, é injusta e incompleta.

"O axé music foi um fenômeno de afirmação da cultura negra baiana em escala nacional. Isso não pode ser apagado pela crítica ao que veio depois", argumenta o musicólogo Sérgio Caldas, professor da UFBA.

A discussão ganhou novo fôlego com uma série de relançamentos e reinterpretações. Artistas da nova geração, como Larissa Luz e Xênia França, têm revisitado elementos do axé com uma perspectiva crítica e afirmativa. Documentários e pesquisas acadêmicas estão reconstituindo a história do gênero com mais nuance.

A Cenas Brasileiras conversou com músicos, pesquisadores e fãs para entender o que o axé music foi, o que se tornou e o que ainda pode ser.